Pessoa

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On quarta-feira, 22 de setembro de 2010 at 22:09

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo."

Fernando Pessoa, aka Alberto Caeiro in 'O Guardador de Rebanhos'

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The duel

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On at 14:32

meteorologia: sol, por enquanto
pecado da gula: pão francês na chapa
teor alcoolico: nada ainda
audio: alternativando #84
video: syriana

Os duelistas, Joseph Conrad

Diferente do que gostaria de ter feito, assisti ao filme (leia o post) antes de ler o livro. Felizmente, neste caso, o filme não interferiu na experiência da leitura. Muito ao contrário, foi complementar. A caracterização dos personagens no filme foi totalmente fiel ao livro, não dificultando imaginar o ator como a representação cabal do personagem descrito por Conrad. Não só a caracterização, mas o roteiro do filme também manteve-se bastante fiel ao livro. Com exceção de uma ou outra “licença poética” tomada no roteiro - a amante de D’Hubert não existe no livro e o final é ligeiramente diferente - lê-se o livro visualizando as cenas do filme, sem tirar nem pôr.
Mérito de Ridley Scott e do roteirista conseguir traduzir para a película o dilema moral, a angústia e a obsessão dos personagens exatamente como o leitor imagina ser ao ler o livro. A defesa da honra, a atitude obsessiva e o absurdo que advém da situação criada em torno dos duelos são o fio condutor tanto do livro quanto do filme. Diferente da maioria das adaptações de livros para cinema, praticamente nada se perdeu da estória, nenhum detalhe importante. E o melhor, a essência da narrativa está presente no filme.
Não é meu livro predileto de Conrad, eu ainda prefiro “Coração das trevas” mas ainda assim é muito bom. Vale a leitura.

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