O universo

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On quinta-feira, 30 de setembro de 2010 at 02:42

O universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.

Alberto Caeiro

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The Bridge on the River Kwai

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On quarta-feira, 29 de setembro de 2010 at 16:01

meteorologia: nublado
pecado da gula: sorvete de brigadeiro
teor alcoolico: nada ainda
audio: euvoudebike #19

The Bridge on the River Kwai, direção David Lean

Um daqueles filmes grandiosos da chamada época de ouro de Hollywood. Superproduções caras, filmes longos, grandes cenários, extensas locações externas, elenco estelar. Especialidade do diretor, responsável também por Lawrence of Arabia, Doctor Zhivago, Ryans’s daughter e A Passage to India (o meu predileto). Ganhador de 7 Oscars, incluindo o de melhor filme e de melhor ator para Alec Guiness. Mas o que tenho sempre na memória sobre esse filme é a música-tema, assoviada pelos personagens durante boa parte do filme e que, descobri muito tempo depois de tê-lo assistido pela primeira vez, chama-se A marcha do coronel Bogey. É como um jingle, cola no ouvido, na cabeça e custa a sair. Mais uma curiosidade, a ponte do filme, foi realmente erguida (coisa impensável nos dias de hoje) e foi a maior estrutura construída para um filme até então.

Baseado no romance do escritor francês Pierre Boulle, é um filme de guerra, apesar de não ter grandes batalhas ou lutas. Relata a estória de soldados ingleses que, prisioneiros de guerra, vêem-se obrigados a construir uma ponte ferroviária para o inimigo, os japoneses. Seria simples, não fosse o fato de o coronel inglês responsável pela tropa decidir construí-la da melhor maneira possível, apenas com o intuito de humilhar o coronel japonês a cargo do campo de prisioneiros, exibindo a eficiência inglesa.

A construção da ponte é apenas um pretexto para o embate entre essas duas personalidades. Ambos, à sua maneira, acreditam estar fazendo e dando o melhor de si, cumprindo seu dever à risca. Cada um deles acredita que sua forma de comando é a mais acertada. O ponto inicial da discórdia é o fato de o coronel japonês, Saito (Sessue Hayakawa), exigir que os oficiais ingleses façam trabalho braçal na construção da ponte. O coronel inglês, Nicholson (Alex Guiness), rebate e exige o cumprimento dos termos da Convenção de Genebra, segundo os quais nenhum oficial preso pode fazer trabalhos manuais. O que se segue é uma queda de braço entre os dois, uma batalha psicológica, cada um defendendo seu ponto de vista a seu modo e tentando convencer o outro que seu enfoque é o correto. O coronel inglês acha que o japonês está louco. O coronel japonês acha que o inglês está louco. Aliás, loucura é um termo bastante mencionando durante todo o filme. Em algum ponto entre esses dois pólos está o major Shears, totalmente alheio ao que qualquer um deles fizesse. Sente-se quase nauseado diante de tudo aquilo, questionando a validade e a necessidade daquela insana rivalidade.

A cena final é espetacular. Deixa o espectador se perguntando qual foi a motivação do personagem. O que foi filmado é totalmente aberto para a interpretação do público. A única certeza que fica é a falta de sentido de tudo aquilo.
Muito bom, vale assistir.


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Blogroll

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On terça-feira, 28 de setembro de 2010 at 22:33

meteorologia: ufa! sem chuva no fim do dia
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: 2 doses de absolut citron
audio: papo de pregão

Rapidinho, só pra destacar algumas adições ao blogroll aqui do site.

Blog do Claudio - http://blog.kerber.com.br/
Como ele mesmo se descreve no twitter:
"Cara de TI quando está no negócio, cara de negócio quando está na TI. Agilista convertido. Apaixonado pela minha bike Dahon dobrável."

The Running Teacher - http://therunningteacher.blogspot.com/
Um twitterrun que por acaso também é professor de inglês.
Blog iniciando agora. Vida longa e próspera :-)

rafanoronha.speaking() - http://rafanoronha.net/
Bons posts abordando o hype do momento na condução de projetos: Agile/Scrum.
Pros que já conhecem, pra quem está começando a se interessar agora (como eu).

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Queijo

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On segunda-feira, 27 de setembro de 2010 at 23:44

meteorologia: chove sem parar
pecado da gula: chocolate
teor alcoolico: 1 dose de black label, 2 stella artois
audio: fita cassete #16
video: braincast

O post de hoje não era pra ser sobre o assunto do título, mas uma conjunção de fatores tornou-o o único texto pronto a ser publicado. Com quatro posts iniciados (2 sobre filmes, 2 sobre generalidades) e escassa inspiração, ou melhor, disposição para revisar e finalizar nenhum deles, o tira-gosto que eu degustava enquanto decidia qual deles “atacar” transformou-se no melhor assunto do dia. Os cubinhos de queijo minas curado (providencialmente trazido de MG por um colega de trabalho) foram o acompanhamento ideal à Stella Artois estupidamente gelada - clichê, mas não achei nenhuma expressão melhor pra traduzir a temperatura dessa delícia.

Já deu pra notar que eu adoro queijo. É vício mesmo. Dificilmente, passo um dia sem ao menos comer um pedacinho. E é um laticínio que nunca, nunca mesmo, falta na minha geladeira. Sinto pena dos que sofrem de intolerância à lactose e não podem desfrutar dessa delícia derivada do leite.

Vamos logo aos meus top 10: (não estão em ordem de preferência)

Minas curado (ou minas padrão)
In natura, sempre. Em cubinhos, fatia grossa, fatia fina, não importa. Derretido, em cima do pão francês também é gostoso, mas nem tanto. Ralado em omelete (francesa) ou ovos mexidos também fica uma delícia.

Minas frescal
Esse não tem jeito, tem de ser fatia grossa. No pão francês, na torrada, no pão de forma tostado. Ou no prato, com geléia ou doce de banana daqueles que só vó sabe fazer.

Camembert/Brie
A diferença entre eles é pequena. São queijos de pasta mole, feitos com leite de vaca, com uma crosta fina de bolor penicilium branco. O camembert é produzido unitariamente em peças redondas de mais ou menos 300g. O brie é produzido em peças aproximadamente 10 vezes maiores, que depois são fatiadas, quando então se forma a crosta lateral. Prefiro ambos in natura, num pão francês recém-saído do forno. Mas também são excelentes em tortas semelhantes à quiche lorraine.

Requeijão
Aquele do copinho, não o catupiry (que eu nem gosto tanto, e nem consta da minha lista). No pão francês, no pão de forma, mas o mais gostoso é na torrada mesmo. A crocância da torrada e a cremosidade do queijo formam uma combinação deliciosa.

Polenguinho
Quem resiste a esse “lanchinho portátil”? Pra mim ainda tem gosto de infância. Ótimo pra comer a qualquer hora em qualquer lugar. E alguém por acaso chama de queijo fundido?!

Port-Salut
Queijo de origem francesa, parecido com o nosso queijo prato, só que um pouco mais picante. Gostoso em sanduíches quentes. Mas eu prefiro in natura, no pão ou com frutas.

Provolone
Gosto muito de alimentos defumados e não poderia deixar de gostar de provolone. Em casa, só em sanduíches quentes ou frios, ou em cubinhos. Em qualquer balada, aqueles cubinhos de provolone à milanesa são uma perdição total!...

Mascarpone
Queijo cremoso de origem italiana, mais parecido com um iogurte. Só uso pra fazer tiramisù, mas é o suficiente pra incluí-lo na lista.

Pecorino
É como o parmesão, só que produzido com leite de ovelha. Bom para ralar e usar em gratinados, tortas e pães. Por ser mais suave que o parmesão, dá até pra degustar in natura.

Mussarela
De qualquer jeito é gostosa. Em cubinhos, como tira-gosto. Em fatias, no sanduíche frio ou quente. Ralada nos gratinados, na macarronada de domingo e logicamente na pizza.

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O senhor das moscas

coded by Cristine Tellier | tags: | Posted On domingo, 26 de setembro de 2010 at 23:45

meteorologia: chuva o dia inteiro
pecado da gula: macarronada
teor alcoolico: 1 original, 2 smirnoff ice
audio: rapaduracast #202
video: a ponte do rio kwai

O senhor das moscas, de William Golding

Livro de estréia do autor, publicado na década de 50 e ganhador do Nobel de Literatura em 1983. Não sabia nada disso até lê-lo. Já havia ouvido falar nele - junto a “O apanhador no campo de centeio” (J.D.Salinger) é presença obrigatória nas listas de leitura das escolas norte-mericanas. Mas o que me levou à livraria para adquiri-lo foi a citação do livro numa das muitas análises de Lost num dos inúmeros sites dedicados à série. A semelhança do cenário, do nome de alguns personagens e de algumas situações-chave dão a certeza que algum roteirista de Lost é fã do livro.

A estória é simples. Após um acidente aéreo, um grupo de garotos se vê sozinho numa ilha deserta no Pacífico, sem adultos por perto. A partir daí, Golding consegue fazer uma descrição concisa e pormenorizada das alterações no comportamento dos garotos, analisando profundamente o caráter e as relações humanas. Assim como fez Orwell, em “Animal Farm”, Golding descreve um grupo naturalmente desprovido de poder que, de um momento a outro, vê-se numa situação em que a necessidade de organizar-se numa sociedade leva a uma disputa pelo poder.

O processo “civilizatório” fica dividido entre duas vertentes. Se por um lado Roger busca a organização do grupo tentando ater-se à realidade e à moral conhecida, Jack atrai os garotos deixando fluir os instintos animalescos e mais primitivos. Além do enfoque nesses dois modos de comando, Golding também analisa no livro o aparecimento da maldade, a necessidade de rituais, a selvageria nascida da falta de perspectiva, o nascimento de mitos.

Durante toda a leitura, tentei entender qual o sentido do título do livro. Sem sucesso. Descobri depois que Senhor das moscas é a tradução literal de Belzebu (do hebraico), o diabo.

Golding escreve muito bem. A narrativa é fluida e bastante envolvente. A riqueza de detalhes deixa o leitor imerso no ambiente enfrentado pelos garotos. É o tipo de livro que se lê numa "sentada" só. Difícil largar antes de chegar ao final da leitura.
Vale a leitura. Eu recomendo.

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